domingo, 3 de junho de 2012

Vou abandonar esse corpo, essa vida; Vou sumir como se nunca tivesse existido. Vou alugar uma brecha de espaço entre o agora e o nunca, vou morar no infinito das dúvidas, na sombra do eterno passageiro, onde o sol nasça uma ver por ano para me tirar a noite, pra me roubar a Lua. E se um dia, por ventura, a vida quiser me visitar, que entre sem bater, vou deixar as janelas abertas, pra que pule logo que possa, bagunce, se esparrame, quebre tudo, mas que fique; E se a ilustre visita for do amor, mande-me cartas avisando sua chegada, telefone, sinal de fumaça, não sei, mas avise, urgentemente, pra que eu possa reforçar as correntes do portão, comprar novos cadeados, fechar as cortinas e apagar todas as luzes antes que escureça… pra que quando ele venha chamar pelo meu nome, ache que não te ninguém em casa, dê as costas, e vá embora sem deixar recados, nem saudade, nem estragos —como sempre foi de costumar fazer.

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